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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Falta de planejamento retarda efeito do BI

Fonte: TI Inside

Falta de planejamento retarda efeito do BI

Os projetos de business intelligence não são uma responsabilidade da área de TI, mas da direção de uma empresa.” Com essa afirmação, executivos ligados a empresas provedoras de soluções de business intelligence (BI) respondem à alta incidência de erros nas corporações frente à prioridade, por quase 10 anos consecutivos, segundo o Gartner, de investimentos em projetos de BI.

A alta incidência de erros foi identificada no estudo global “The Business Impact of Big Data”, realizado pela Kelton Research a pedido da Avanade, joint venture entre a Microsoft e Accenture. Na pesquisa aplicada em 543 companhias de 17 países na América do Norte, Ásia Pacífico e na Europa, 46% das empresas dizem se apoiar em informações imprecisas ou desatualizadas quando estão decidindo novas estratégias.

A pesquisa revela que o alto volume de dados está criando um grande desafio aos executivos. Mais de 56% dos “c-level” – gerentes e diretores de negócios, decisores de TI e líderes de unidades de negócios – afirmam sentir-se pressionados pelo volume de dados gerados pelas suas empresas. Muitos deles, inclusive, confessaram atrasar decisões importantes devido a necessidade de manuseio de grande volume de informações.

“As empresas precisam desenvolver a cultura dos dados, na qual executivos, colaboradores e parceiros estratégicos sejam atores ativos na gestão e manuseio do ciclo de vida da informação”, diz Tyson Hartman, global chief technology officer da Avanade. “Isso fará com que as empresas consigam transformar dados em informações.”

Dualidade

Apesar da incômoda proliferação dos dados, os profissionais desejam ainda mais informação e querem também um ritmo de entrega acelerado. Um em cada três deles acredita que o acesso a um número maior de fontes poderia melhorar seu desempenho no trabalho, enquanto 61% diz querer acesso rápido aos dados. De acordo com a pesquisa, este desejo por mais dados e maior velocidade é impulsionado pela capacidade, ou ausência dela, das empresas se manterem alinhadas com as expectativas de seus clientes.

“Nossa pesquisa confirma o que ouvimos dos clientes sobre os desafios no gerenciamento dos dados. Os executivos parecem estar segurando um acesso mais rápido aos dados como forma de ajudá-los a lidar com a sobrecarga de informação. Ao mesmo tempo em que a velocidade é importante, o contexto é absolutamente essencial para compreender o escopo completo dos dados e tomar decisões corretas na hora certa”, diz Hartman.

Talvez esteja aí a justificativa para o fato de o BI estar entre as tecnologias prioritárias dos gestores de TI também em 2011. Mas a constatação mais alarmante da pesquisa divulgada pela Avanade é que ao mesmo tempo em que os executivos reconhecem que há valor nos dados, uma vez que a partir de previsões de negócios eles reduzem as incertezas e melhoram o posicionamento competitivo das empresas, 61% deles acreditam que a avalanche de dados muda drasticamente a dinâmica de funcionamento das empresas.

“O problema é que boa parte desses dados são imperfeitos ou não estruturados e isso distorce o resultado final”, sentencia Antonio Paulo Rihl, responsável pela recém-estruturada operação da Tagetik no Brasil, uma provedora global de soluções de gestão de desempenho (performance management), governança financeira e business intelligence. Rihl, aliás, liderou operações locais da Business Objects e da Hyperion.

Outra falha, na opinião de Flavio Bolieiro, vice-presidente América Latina da MicroStrategy, é a automatização de processos convencionais e equivocados sem atenção à necessidade de análise.

Dissipação

Kátia Vaskys, executiva de Business Analytics & Optimization (BAO) da IBM Brasil, confirma que os obstáculos à qualidade na tomada de decisão são organizacionais. Primeiro, porque falta entendimento sobre como usar a análise para transformar o negócio; depois porque falta tempo aos gestores para aprender como usar a informação, ou seja, deixar de usar a intuição e passar a analisar relatórios; e por fim o conhecimento dos usuários na manipulação de ferramentas de business intelligence com a correta aplicação de mecanismos de gestão de mudanças, para que os executivos reaprendam a trabalhar com análise para gerar informação.

Também não se pode manter os “guetos” de informações responsáveis por manipular e distribuir a informação. “Hoje as informações estão em sites, mídias sociais, conteúdo, documentos digitalizados, etc. Cada vez mais o próprio processamento da informação está distribuído”, alerta a executiva.

Aos poucos as empresas promovem a distribuição da informação e da tomada de decisão. E o que antes era uma atribuição exclusiva de um departamento ou o maior valor de outro, agora cresce em vias horizontais e verticais, segundo Marco Antonio Brittes, diretor de BI da Sofftek. O Brasil em particular, diz ele, está migrando de projetos departamentais de business intelligence para aqueles que atendem a toda a empresa. Essas por sua vez buscam complementar o projeto para atender a várias áreas ou a empresa como um todo, expandindo os projetos de datamart para um data warehouse.

Mas Brittes alerta para o fato de ainda haver “muita empresa com problemas básicos de informação transacional. “Elas até têm estratégias de BI, mas enfrentam muito problema em obter informação de qualidade”.

MÃO NA MASSA

A CSU CardSystem, processadora de cartões e

crédito, é responsável pelo processamento dos cartões de nove empresas, entre elas a Porto Seguro, o HSBC, o BANERJ e Carrefour. E foi com este perfil que a companhia pesquisou o mercado para identificar uma platafoma que lhe desse maior competitividade no mercado. “O BI entrou na estrutura inicialmente para controlar campanhas promocionais”, conta Rodrigo Bibiano,

gerente de sistemas da CSU.

Após pesquisas, a empresa delegou à Softtek a responsabilidade de implementar o projeto, com a ferramenta IBM Cognos, inicialmente na CSU MarketSystem, o braço da empresa que oferece soluções de marketing de relacionamento. Entre novembro de 2009 e meados de 2010 foram investidos aproximadamente R$ 2 milhões, apenas no serviço de implementação.

O segundo passo foi associar o BI ao cartão de crédito, para apresentar itens de faturamento, ganhos com ativamento de cartões e a montagem de campanhas baseadas no uso do cartão. Uma ação que despertou interesse da diretoria, viabilizando a criação de duas frentes de trabalho, interna e externa, porque, segundo Bibiano, “a área de finanças começou a ver os números com maior exatidão, melhorou a qualidade das propostas e colocou todos os dados abaixo de um BI único”.

Prova de fogo

O movimento aumentou o grau de assertividade e a confiança da diretoria nos dados. “Como o retorno foi muito bom, implementamos também o planning – no qual estão todos os controles”, conta o gerente de sistemas.

Nos últimos quatro a cinco anos, a CSU empreendeu um programa de captação de novos clientes e também utilizou a plataforma de business intelligence para promover a internalização de um deles. “Quando analisei a base, vi que tudo estava muito confuso, com muitos desencontros de informações. Traçamos um processo de alinhamento dos dados e só conseguimos concluir o projeto em seis meses porque utilizamos a plataforma de BI para a limpeza dos dados.

Na migração foi internalizado o processamento de gastos de mais de 4 milhões de cartões, sem interrupções no faturamento de mais de 8 mil lojas. “Foi uma ação de guerra, com fretamento de avião para transportar informação, processamento de informações em tempo recorde”, conta o gerente de sistemas, segundo o qual agora, com o BI, a operação da CSU erra menos do que no modelo anterior baseado em Excel.

“Aumentamos a confiabilidade. Os dados são

protegido e todo o processo é automatizado e supervisionado. Sabemos exatamente quando começa e quanto termina qualquer coisa diferente do normal”, conclui o executivo, dizendo que o atual modelo afetou até o quadro de RH da CSU.

Aposta Bilionária

Com a aquisição de várias empresas (foram investidos US$14 bilhões na compra de 24 companhias nos últimos cinco anos) e a recém-criação de uma diretoria específica para Business Analytics & Optimization (BAO), liderada por Kátia Vaskys, a IBM reforça a aposta no setor e o transforma em um de seus principais pilares de negócios para os próximos anos, com a meta de alcançar receita de US$ 16 bi no setor até 2015.

A IDC prevê que o mercado de BA crescerá uma média de 7% ao ano de 2009 até 2014, com aumento ainda maior esperado nos próximos 10 anos. O que ajudou a aumentar o interesse do mercado foi a explosão na quantidade de dados digitais. Nos bancos, por exemplo, os dados crescem a uma taxa de 50% ao ano. A IBM estima que 80% dos novos dados não são estruturados e vêm de blogs, e-mail, podcasts, comentários de clientes e vídeos, todos eles oferecendo desafios de análise.

Bola cheia

A receita mundial da indústria de software de business intelligence (BI) e seus subsegmentos (que incluem ferramentas analíticas e de gerenciamento de performance corporativa – CPM, na sigla em inglês) atingiu US$ 10,5 bilhões no ano passado, cifra 13,4% maior que os US$ 9,3 bilhões registrados em 2009, de acordo com estudo do Gartner.

A consultoria atribui o aumento nos gastos com software de BI no ano passado ao ressurgimento dos pacotes de incentivos, a melhoria geral da economia e ao lançamento de novos produtos. “Os gastos com software de BI ultrapassaram em muito o crescimento dos orçamentos para TI em todo o mundo em muitos anos, e é claro que o BI continua a ser uma tecnologia central para as organizações. Os fornecedores também atuaram de forma agressiva nesta área, o que contribuiu para impulsionar a demanda”, disse Dan Sommer, analista de pesquisas do Gartner.

Os quatro grandes fornecedores do mercado – SAP, Oracle, IBM e Microsoft – continuaram a consolidar o mercado, sendo que, juntos, detêm 59% de market share. Considerando apenas as plataformas de BI e de CPM juntas, eles detêm cerca de dois terços, de market share, enquanto que em aplicações analíticas o SAS domina o mercado.

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